O dia litúrgico

Féria

IV ClasseTempo Depois de PentecostesVerde

A Palavra da Liturgia

Leituras do dia

Leitura apostólica

Epístola

Gl. 5, 25-26; 6, 1-10.Leitura da Epístola do Bem-aventurado Apóstolo São Paulo aos Gálatas.

Irmãos: Se vivemos pelo espírito, andemos também pelo espírito. Não nos façamos cobiçosos de vanglória, provocando-nos uns aos outros e invejando-nos uns aos outros. Irmãos, se algum homem for surpreendido em algum delito, vós, que sois espirituais, instruí-o com espírito de mansidão, acautelando-te a ti mesmo, para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana. Prove, porém, cada um a sua própria obra, e assim terá glória somente em si mesmo, e não em outro. Porque cada um levará a sua própria carga. Aquele que é instruído na palavra comunique de todos os seus bens àquele que o instrui. Não vos enganeis: de Deus não se zomba. Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne também ceifará a corrupção; mas o que semeia no espírito, do espírito ceifará a vida eterna. E, fazendo o bem, não desaleçamos; porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Portanto, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.

Palavra do Senhor

Evangelho

Lc. 7, 11-16.Continuação do santo Evangelho segundo São Lucas.

Naquele tempo: Ia Jesus para uma cidade que se chamava Naim: e iam com Ele os seus discípulos e uma copiosa multidão. Quando, porém, Ele se aproximava da porta da cidade, eis que levavam a sepultar um defunto, filho único de sua mãe: e esta era viúva; e muita gente da cidade vinha com ela. Quando o Senhor a viu, movido de íntima compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores. E chegou-se e tocou o esquife. (Os que o levavam pararam.) E Ele disse: Jovem, Eu te digo, levanta-te. E o que estava morto sentou-se, e começou a falar. E Ele o entregou a sua mãe. E o temor apoderou-se de todos: e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande Profeta surgiu entre nós, e Deus visitou o seu povo.

Oração com a Palavra

Lectio Divina

As leituras de hoje nos falam sobre a restauração e a preservação da vida espiritual. O Evangelho relata o milagre em que Nosso Senhor ressuscita o filho da viúva de Naim, uma imagem viva da alma que é ressuscitada da morte do pecado para a vida da graça. A Epístola de São Paulo, por sua vez, nos ensina como manter essa nova vida: andando no Espírito, fugindo da vanglória, suportando as fraquezas dos irmãos e perseverando na prática do bem.
01

Lectio

O que diz o texto?

No Evangelho, vemos o encontro do Autor da Vida com a morte. Uma viúva chora a perda de seu filho único. Os Padres da Igreja, como Santo Agostinho, ensinam que esta mãe viúva representa a Santa Mãe Igreja, que chora amargamente pelos seus filhos mortos pelo pecado mortal. Jesus, movido de íntima compaixão, toca no esquife, demonstrando Seu poder divino sobre a morte e a lei, e ordena: "Jovem, Eu te digo, levanta-te". O jovem volta à vida e é entregue à sua mãe, prefigurando o pecador que, absolvido no Sacramento da Confissão, é devolvido vivo ao seio da Igreja.
Na Epístola, São Paulo explica o comportamento exigido daqueles que foram ressuscitados para a vida da graça. Se "vivemos pelo espírito" (ou seja, se recebemos a graça santificante), nossas ações devem provar isso. O Apóstolo exige a caridade fraterna: corrigir os que erram com mansidão (sem soberba), carregar os fardos uns dos outros e fugir da vaidade. Ele conclui com a lei imutável da colheita espiritual: quem planta obras carnais, colherá a corrupção; quem planta obras espirituais, colherá a vida eterna.
02

Meditatio

O que Deus me diz?

Deus nos chama a uma profunda reflexão sobre o estado da nossa alma. Se estamos mortos pelo pecado, Cristo passa hoje pelas portas do nosso coração, tem compaixão das nossas misérias e nos diz: "Levanta-te". Ele deseja nos devolver vivos para Deus.
Mas se já estamos de pé, vivendo na graça, o Senhor nos adverte contra o cansaço espiritual. "Não desaleçamos de fazer o bem". Muitas vezes nos frustramos com os defeitos alheios, mas a verdadeira espiritualidade não consiste em se achar superior, e sim em ter a mansidão de ajudar o irmão a carregar a sua cruz. Deus não se deixa enganar pelas aparências ("de Deus não se zomba"); Ele vê o que estamos semeando nas pequenas ações diárias. Toda semente de paciência, perdão e caridade brotará para a eternidade.
03

Oratio

O que respondo a Deus?

Senhor Jesus, que tivestes íntima compaixão das lágrimas da viúva de Naim, olhai para a minha alma e para as minhas misérias. Se o pecado me paralisou, dizei-me com o Vosso poder: "Levanta-te". E se já caminho na Vossa amizade, dai-me o Vosso Espírito, para que eu não me canse de fazer o bem. Livrai-me da vanglória, dai-me mansidão para com os erros do meu próximo e forças para ajudar a carregar os fardos dos meus irmãos, cumprindo assim a Vossa santa lei. Amém.
04

Contemplatio

Permanecer diante de Deus

Feche os olhos e imagine a cena às portas da cidade de Naim. De um lado, a multidão triste, o choro, o esquife da morte. Do outro, Nosso Senhor Jesus Cristo, sereno, majestoso e cheio de misericórdia. Fixe o seu olhar nos olhos de Jesus quando Ele diz "Não chores". Contemple o poder infinito da Sua palavra que faz o morto se assentar e falar. Repouse na certeza de que não há morte espiritual, vício ou miséria que a voz do Cristo não possa vencer.

Vida dos Santos

Santo do dia