São Adriano

São Adriano de Nicomédia era um oficial do exército romano no início do século IV. Ao testemunhar a coragem inabalável e a alegria de vinte e três cristãos sendo torturados, foi iluminado pela graça divina, converteu-se subitamente e pediu para ser acorrentado junto a eles. Com o fervoroso apoio de sua esposa, Santa Natália, que o encorajava no cárcere a perseverar e a desprezar as glórias terrenas, Adriano suportou um martírio brutal por volta do ano 306, tendo seus membros esmagados. Sua memória litúrgica tradicional é celebrada no dia 8 de setembro.

A imagem é um ícone sagrado de estilo tradicional oriental. O fundo é composto por uma metade superior dourada e uma metade inferior pintada em um tom de verde-oliva opaco, representando o chão. Ao centro, de corpo inteiro e voltados para a frente, estão dois santos lado a lado, ambos com auréolas douradas.  À esquerda (São Adriano): É um homem de pele clara, com cabelos e barba castanhos curtos. Ele veste uma túnica azul-escura (ou verde-petróleo escuro) que vai até os tornozelos, com a bainha inferior ricamente adornada com pontos dourados e pedrarias. Por cima da túnica, usa um manto vermelho-alaranjado. Ele segura uma pequena cruz escura com a mão direita na altura do peito, enquanto a mão esquerda está erguida e espalmada para a frente. Nos pés, usa calçados justos de cor avermelhada.  À direita (Santa Natália): É uma mulher de pele clara, com a cabeça e o pescoço totalmente cobertos por um véu branco sob o manto. Ela veste uma túnica longa em tom de marrom-púrpura escuro, coberta por um manto verde-claro drapeado. Assim como o santo ao lado, ela segura uma pequena cruz com a mão direita erguida, enquanto a mão esquerda repousa junto ao corpo sob o tecido do manto. Nos pés, usa calçados justos de cor amarelada.  Na parte superior do ícone, flanqueando as auréolas no fundo dourado, há inscrições escritas em preto no alfabeto cirílico antigo, identificando os santos retratados.
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São Adriano de Nicomédia (também conhecido como Hadrian) foi um ilustre oficial romano do início do século IV, que passou de perseguidor a glorioso mártir da fé católica. Ele é venerado como um santo pré-congregação, sendo historicamente um dos padroeiros militares mais invocados do norte da Europa ao longo dos séculos.

Posição na Corte e Vida Pagã

Por volta dos vinte e oito anos de idade, Adriano ocupava uma posição de grande autoridade e sucesso no Império Romano. Sob o reinado do imperador Maximiano (ou Galério Maximiano), ele servia como pretor e chefe do pretório na corte imperial de Nicomédia, localizada na atual Turquia. Sendo um pagão, foi-lhe confiada a sombria tarefa de supervisionar a tortura de cristãos presos, registrando seus nomes e as respostas dadas durante os brutais interrogatórios. O que ele desconhecia era que sua própria esposa, Natália, já havia se convertido secretamente à verdadeira fé, ocultando sua devoção devido aos severos perigos sociais e legais da época.

A Graça da Conversão

A vida de Adriano transformou-se radicalmente quando trinta e três cristãos foram capturados e submetidos a espancamentos selvagens e torturas atrozes diante de seus olhos. Em vez de cederem, os cristãos proclamavam bravamente sua fé, alertando o juiz de que os tormentos apenas aumentavam a glória celestial deles, enquanto garantiam a condenação do magistrado. Impressionado com essa coragem e resignação inabaláveis, Adriano perguntou-lhes qual recompensa esperavam receber de Deus. Os mártires responderam citando as Sagradas Escrituras: "Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam" (1 Coríntios 2:9). Profundamente tocado pela graça divina, Adriano confessou publicamente a sua fé em Cristo de forma imediata, renunciando ao paganismo, à segurança de sua posição, e juntando seu nome ao dos prisioneiros, mesmo sem ainda ter sido batizado.

O Cárcere e o Apoio de Santa Natália

Após recusar-se a cumprir as ordens contra os cristãos e a renegar sua nova fé, Adriano foi imediatamente preso e cruelmente torturado. Quando a notícia chegou à sua casa através de um servo, sua esposa Natália não respondeu com tristeza, mas com imensa alegria. Ela correu para a prisão para encorajá-lo a permanecer firme e lhe disse que a sua nobreza terrena não era nada comparada à coroa celestial que ele estava prestes a receber. Como os visitantes foram proibidos, Natália chegou a disfarçar-se de menino para continuar visitando-o, pedindo-lhe orações para quando ele entrasse no Céu. Ela o confortou em sua agonia, tornando-se um poderoso pilar de fortaleza espiritual.

O Glorioso Martírio

O martírio de São Adriano envolveu métodos terríveis e preservação sobrenatural. Segundo relatos hagiográficos, ele chegou a ser atirado em uma arena com um leão feroz, mas o animal milagrosamente recusou-se a atacá-lo, o que enfureceu ainda mais seus algozes. A execução ocorreu de forma brutal: suas pernas foram quebradas e seus membros esmagados sobre uma bigorna, sendo ele mutilado a golpes de espada. Natália implorou aos carrascos que começassem cortando as mãos de Adriano, temendo que ele fraquejasse ao ver o sofrimento dos demais. Ele entregou sua alma a Deus no ano de 304 ou 306 d.C.. Os carrascos tentaram queimar os corpos dos mártires, mas uma tempestade repentina apagou o fogo.

Pós-Morte, Relíquias e Padroado

Após a tempestade, Santa Natália conseguiu recuperar uma das mãos decepadas de Adriano, guardando-a como uma relíquia sagrada. Ela fugiu com a relíquia para Argyropolis, perto de Constantinopla, para escapar das investidas de um oficial imperial que desejava desposá-la, vindo a falecer em paz pouco depois.

As relíquias de São Adriano foram transladadas para Grammont (Geraardsbergen), na Bélgica, no ano de 1175. Esse translado transformou o local em um importante centro de peregrinação.

Sua principal festa em memória ao martírio ocorre em 4 de março. Além desta data, sua festa também é celebrada em 8 de setembro, recordando a transladação de suas relíquias.

Ele é o santo padroeiro dos soldados, guardas prisionais, mensageiros, ferreiros, açougueiros e negociantes de armas. Este padroado aos açougueiros e ferreiros deve-se aos cruéis métodos de tortura que ele sofreu.

Ele é considerado um poderoso intercessor e protetor contra a peste e a epilepsia.

Junto de Santa Natália, é considerado patrono dos casamentos em crise. O casal é invocado para a conversão de cônjuges endurecidos e para a restauração de famílias que enfrentam provações.

Na arte sacra, ele é frequentemente retratado vestindo armadura completa. Suas representações incluem o uso de uma espada em uma mão e uma bigorna na outra, ou mesmo pisoteando um leão.