São Adriano
São Adriano de Nicomédia era um oficial do exército romano no início do século IV. Ao testemunhar a coragem inabalável e a alegria de vinte e três cristãos sendo torturados, foi iluminado pela graça divina, converteu-se subitamente e pediu para ser acorrentado junto a eles. Com o fervoroso apoio de sua esposa, Santa Natália, que o encorajava no cárcere a perseverar e a desprezar as glórias terrenas, Adriano suportou um martírio brutal por volta do ano 306, tendo seus membros esmagados. Sua memória litúrgica tradicional é celebrada no dia 8 de setembro.

São Adriano de Nicomédia (também conhecido como Hadrian) foi um ilustre oficial romano do início do século IV, que passou de perseguidor a glorioso mártir da fé católica. Ele é venerado como um santo pré-congregação, sendo historicamente um dos padroeiros militares mais invocados do norte da Europa ao longo dos séculos.
Posição na Corte e Vida Pagã
Por volta dos vinte e oito anos de idade, Adriano ocupava uma posição de grande autoridade e sucesso no Império Romano. Sob o reinado do imperador Maximiano (ou Galério Maximiano), ele servia como pretor e chefe do pretório na corte imperial de Nicomédia, localizada na atual Turquia. Sendo um pagão, foi-lhe confiada a sombria tarefa de supervisionar a tortura de cristãos presos, registrando seus nomes e as respostas dadas durante os brutais interrogatórios. O que ele desconhecia era que sua própria esposa, Natália, já havia se convertido secretamente à verdadeira fé, ocultando sua devoção devido aos severos perigos sociais e legais da época.
A Graça da Conversão
A vida de Adriano transformou-se radicalmente quando trinta e três cristãos foram capturados e submetidos a espancamentos selvagens e torturas atrozes diante de seus olhos. Em vez de cederem, os cristãos proclamavam bravamente sua fé, alertando o juiz de que os tormentos apenas aumentavam a glória celestial deles, enquanto garantiam a condenação do magistrado. Impressionado com essa coragem e resignação inabaláveis, Adriano perguntou-lhes qual recompensa esperavam receber de Deus. Os mártires responderam citando as Sagradas Escrituras: "Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam" (1 Coríntios 2:9). Profundamente tocado pela graça divina, Adriano confessou publicamente a sua fé em Cristo de forma imediata, renunciando ao paganismo, à segurança de sua posição, e juntando seu nome ao dos prisioneiros, mesmo sem ainda ter sido batizado.
O Cárcere e o Apoio de Santa Natália
Após recusar-se a cumprir as ordens contra os cristãos e a renegar sua nova fé, Adriano foi imediatamente preso e cruelmente torturado. Quando a notícia chegou à sua casa através de um servo, sua esposa Natália não respondeu com tristeza, mas com imensa alegria. Ela correu para a prisão para encorajá-lo a permanecer firme e lhe disse que a sua nobreza terrena não era nada comparada à coroa celestial que ele estava prestes a receber. Como os visitantes foram proibidos, Natália chegou a disfarçar-se de menino para continuar visitando-o, pedindo-lhe orações para quando ele entrasse no Céu. Ela o confortou em sua agonia, tornando-se um poderoso pilar de fortaleza espiritual.
O Glorioso Martírio
O martírio de São Adriano envolveu métodos terríveis e preservação sobrenatural. Segundo relatos hagiográficos, ele chegou a ser atirado em uma arena com um leão feroz, mas o animal milagrosamente recusou-se a atacá-lo, o que enfureceu ainda mais seus algozes. A execução ocorreu de forma brutal: suas pernas foram quebradas e seus membros esmagados sobre uma bigorna, sendo ele mutilado a golpes de espada. Natália implorou aos carrascos que começassem cortando as mãos de Adriano, temendo que ele fraquejasse ao ver o sofrimento dos demais. Ele entregou sua alma a Deus no ano de 304 ou 306 d.C.. Os carrascos tentaram queimar os corpos dos mártires, mas uma tempestade repentina apagou o fogo.
Pós-Morte, Relíquias e Padroado
Após a tempestade, Santa Natália conseguiu recuperar uma das mãos decepadas de Adriano, guardando-a como uma relíquia sagrada. Ela fugiu com a relíquia para Argyropolis, perto de Constantinopla, para escapar das investidas de um oficial imperial que desejava desposá-la, vindo a falecer em paz pouco depois.
As relíquias de São Adriano foram transladadas para Grammont (Geraardsbergen), na Bélgica, no ano de 1175. Esse translado transformou o local em um importante centro de peregrinação.
Sua principal festa em memória ao martírio ocorre em 4 de março. Além desta data, sua festa também é celebrada em 8 de setembro, recordando a transladação de suas relíquias.
Ele é o santo padroeiro dos soldados, guardas prisionais, mensageiros, ferreiros, açougueiros e negociantes de armas. Este padroado aos açougueiros e ferreiros deve-se aos cruéis métodos de tortura que ele sofreu.
Ele é considerado um poderoso intercessor e protetor contra a peste e a epilepsia.
Junto de Santa Natália, é considerado patrono dos casamentos em crise. O casal é invocado para a conversão de cônjuges endurecidos e para a restauração de famílias que enfrentam provações.
Na arte sacra, ele é frequentemente retratado vestindo armadura completa. Suas representações incluem o uso de uma espada em uma mão e uma bigorna na outra, ou mesmo pisoteando um leão.